sexta-feira, junho 30, 2006

BANQUETE DO BOCAGE

Principia o banquete, que constava
De dois gatos achados num monturo,
E de raspas de corno, de que usava
Em lugar de pimenta o preto impuro:
Em sujo frasco ali se divisava
Turva água-pé: fatias de pão duro

Pela mesa decrépitas espalhadas
A fraca vida perdem às dentadas.

Poema de Manuel Maria Barbosa du Bocage in Poema Num Só Canto - canto XXI

Um poema marialva do nosso desbocado Bocage, a ler com a atenção que os animais mal tratados nos merecem e a realçar a necessidade de bem tratar os gatos, e todos os outros seres que connosco partilham espaços e direitos.
Especialmente neste período de férias que se avizinha, aumenta o número de animais abandonados (e também de idosos nas urgências dos hospitais públicos registados com dados falsos). Estes comportamentos são inaceitáveis...

O poema, sobre gatos consumidos num banquete retrata um aspecto da mentalidade marialva que se espelha em maus tratos à bichanada. Tradição antiga que subsiste em agressões diversas. Por alguma razão corre a expressão "Gato por Lebre". Como no caso daquele grupo de velhos amigos que se reuniam periodicamente para almoçaradas e um dia um deles garantiu que ninguém lhe dava o dito por lebre. O festim seguinte foi "coelho" à caçador, todos apreciaram e elogiaram, e no fim, o anfitrião mandou vir as cabeças dos..."gatos". Isto aconteceu em Palmela, há 80 anos.

4 comentários:

Alexa disse...

E este lindíssimo gatarrão, na foto, quem é, ET?

Beijinhos e bom fds

escorpiaotenhoso disse...

Alexa,

É uma menina, chama-se MINIE, vive em Lisboa, é do meu irmão mais novo, mas estou preocupado porque ela foge pela janela todos os dias.

ET

Rodrigues disse...

Não conhecia este do Bocage...

Ele que mande pôr redes nas janelas! Nós fizemos isso cá em casa. É um descanso (até porque moramos num oitavo andar!)

escorpiaotenhoso disse...

Rodrigues,

É uma boa ideia, mas não sei se funciona com o meu irmão. É do tipo complicado...

Bom fds

Gatopardo